quarta-feira, 21 de junho de 2017

Giz de cera sim, por que não?

Da primeira vez que falei sobre os gizes de cera aqui no blog, ele estava no contexto de um post sobre definição de crayon. Desta vez, vou dedicar mais uns parágrafos a esse produto que comumente é "desvalorizado" por quem considera apenas um material escolar infantil - privando-o, por preconceito ou por desconhecimento, de todas as outras possibilidades artísticas que proporciona.

Minha caixa de giz de cera.

Quando decidi usar a caixa de gizão de cera fazendo desenhos no meu caderninho 20x20cm, fiquei frustrada com o material. "Essa porcaria não me deixa trabalhar detalhes" - pensei. Mas acontece que, perdoem-me o trocadilho, eu estava pensando pequeno. Podemos apontar lápis de cor para que a ponta fininha nos possibilite detalhar coisas em espaços pequenos, e quando me toquei que o tamanho da superfície que estava usando para trabalhar com gizão de cera era inapropriada para o nível de detalhes esperados, tudo fez sentido.

Nós, desenheiros, costumamos fazer desenhos pequenos. São vários motivos que nos levam a cair nessa vala: comodidade, economia de material, formato dos sketchbooks... E esquecemos, ou simplesmente não julgamos importante (pelos mesmos motivos listados à pouco) desenhar em formatos maiores. 

"Ah, Nane, mas papel grande é caro...". Olha, fui a uma papelaria escolar semana passada e consegui garimpar bloco A3 com 20 folhas, 140g/m², por R$6, e A4 por R$2. Gente, doooois reais! É super acessível e eu não preciso ter dó de gastar material para fazer esses estudos. \o/ Sai pra garimpar também!

Exercícios de desenho com giz de cera.

Agora estou usando formatos A4 e A3 para exercícios com giz. Percebi que a mudança contribuiu na melhora dos resultados, na maneira com a qual consigo perceber e trabalhar figura e fundo, em como elaborar estratégias para não usar linhas de contorno em desenhos - trabalhando massas de cor, em como combinar as cores para obter novas nuances. Fora que exercita também nosso gestual, isto é, em formatos maiores, além do pulso também precisamos movimentar outras partes do braço para conseguirmos traçar ângulos ou linhas mais compridas.

Mistura/sobreposição de cores para obter novas cores.
Esquerda: Busuzima, de Bloody Roar 2. Direita: Link, de Zelda - Breath of the Wild

Outra praticidade do trabalho em giz de cera é poder fazer desenhos rápidos. Até mesmo quando queremos dar um acabamento melhor na pintura, preencher grandes espaços no papel, etc. Os desenhos acima foram feitos enquanto jogava videogame, coisa de poucos minutos. Se eu fosse tentar fazer o mesmo desenho usando lápis de cor para preencher, acho que demoraria dias!

Sem contar que o processo todo é uma terapia. Levar a caixa de giz ao parque, ou até a varanda e desenhar despreocupado com os padrões e normas formais do desenho de observação é libertador. Claro que as normas e os padrões são importantes para nosso aperfeiçoamento, mas é preciso treinar o desapego, pois às vezes a preocupação excessiva faz com que a gente entre em um estado de bloqueio.

Etapas de desenho em formato A3, usando giz de cera de linha escolar.

Enfim, encerro o post com esse desenho em A3, o maior (e talvez o mais colorido) que fiz até agora com giz. Não é um produto caro que vai te fazer ser bom ou ruim, precisamos explorar as possibilidades dos materiais que temos. 

Até a próxima! o/

domingo, 28 de maio de 2017

Xilogravura

Hoje vou falar um pouquinho sobre minha experiência dessa semana. Entalhes em alto relevo em madeira é um sistema de impressão bem antigo e que, mesmo com o avanço das tecnologias e dos maquinários, é usado até hoje. Xilogravura nada mais é do que gravura em madeira.

Para trabalhar com essa técnica, precisamos de ferramentas específicas, como goivas por exemplo, que servem tanto para entalhar quanto para esculpir. Basicamente são hastes de madeira com diferentes lâminas de metal para entalhe nas pontas. Normalmente são vendidas em conjuntinhos, mas em alguns lugares podem ser compradas avulsas. Outro material necessário é uma placa de madeira macia.

Conjunto de goivas.

Na foto acima podemos observar as diferentes goivas. Cada tipo de ponta possui uma finalidade diferente - sulcar, riscar, aparar... A placa de madeira usada foi MDF 5mm, que é bem baratinho e fácil de encontrar em lojas de material para artesanato. Outro substrato macio e bastante usado, porém mais caro e mais difícil de encontrar, é o linóleo.

Bom, com as ferramentas separadas, precisei apenas escolher um desenho simples para transferir para a madeira. A transferência pode ser feita com carbono, ou papel de seda. Pode desenhar diretamente na madeira também, se preferir. É só ter ciência de que na impressão, o desenho ficará invertido.

Rascunho do meu tubarão.

Desenhei um tubarão para essa experiência. O mês de maio veio com a #mermay, e mergulhei de cabeça nos desenhos sobre o fundo do mar. rs

Processo de entalhe.

A finalização é igual a do post sobre gravura em borracha. Depois que o desenho for esculpido, basta entintar a superfície com auxílio de um rolinho e "carimbar" o papel. Na verdade, o termo que considero mais apropriado para isso é "imprimir", pois essa é uma técnica de impressão.

Ilustrações da literatura de cordel são xilogravuras, e sua estética é bem característica. Vale a pena dar uma olhada para caçar referências e se inspirar. 💗

Até a próxima! o/

terça-feira, 16 de maio de 2017

Recorte e colagem - A margarida friorenta

Oi, tudo joia?
Essa semana desbravei o mundo dos recortes e colagens. Tanto na plataforma Behance quanto nos perfis do Instagram, achei artistas e designers trabalhando com diversas técnicas com papel em seus projetos: quilling, mosaicos, origami, kirigami.... Uma porção de coisas lindas!

Esquerda: wingfy // Direita: Cyla Costa

A imagem acima mostra um perfil no Instagram e um projeto no Behance que me deixaram bastante empolgada. Se quiser visualizar melhor cada um, linkei os projetos nas respectivas legendas, é só clicar.

Não tenho afinidade com esse tipo de técnica, nem tive oportunidade de trabalhar ainda em um projeto que permitisse essa experiência. Mas fiquei tão entusiasmada, que resolvi fazer uma experiência rápida por conta própria, com base nas ilustrações de um livro que li na infância.

Capa do livro A Margarida Friorenta

Não sei se esse livro era da minha mãe ou da minha tia, mas eu lembro que adorava ficar olhando as ilustrações dele (feitas por Lila Figueiredo) e tentando copiar. Conta a história de uma margarida que sentia frio durante a noite no jardim, e que com a ajuda da Borboleta Azul conseguiu entrar na casa de uma garotinha chamada Ana Maria. Escolhi a página em que a margarida e a borboleta conversam para base do estudo.

Página escolhida e anotações sobre o que deveria ser feito.

Foi difícil pra caramba trabalhar com recorte e colagem. Cortei muita coisa errada, colei meus dedos todos, passei um tempão brincando de homem aranha desgrudando cola da mão... Foco zero. Como eu não conhecia a técnica nem tinha as ferramentas necessárias para deixar o processo mais rápido, passei o dia inteiro fazendo essa ilustração. Confira o processo:

Tentativa de cenário.

Fiz várias camadas de papel recortado para simular as ondas de tremedeira da margarida com frio. A ideia seria encaixar a margarida nesse fundo. O problema é que exagerei nas proporções da flor e o resultado não ficou muito legal...

Tentei consertar colocando um outro fundo por trás de tudo, mas não gostei.

No post anterior eu falei que precisamos desapegar do testes, lembra? Aí eu desapeguei disso, desmontei quase tudo e segui em frente com um plano B.

Resultado do estudo.

Esqueci de fotografar o processo da borboleta. Foi praticamente a mesma coisa, recortes, colagens, e as manchas nas asas eu fiz com tinta branca.

Aplicação em uma moldura.

Se eu fosse repetir, ou trabalhar em melhorias, acho que mudaria novamente a solução do efeito de tremida. Ainda não fiquei satisfeita com ele. Acho que se fizesse aquelas camadas do começo, numa escala maior, ficaria mais bacana. Infelizmente o papel nessas cores do fundo acabou e não dá para repetir o processo. Vai ficar pra outro dia. rs

Ter me arriscado a fazer esse estudo me fez perceber que eu não sou tão sem jeito como pensei. Até que ficou legal. Claro que, tendo material correto e um prazo decente, é possível fazer algo melhor. Valeu super a pena essa tentativa de sair da zona de conforto e trabalhar com colagem.

Penso também que, além do rico uso na publicidade ou como ilustração de livro, essas técnicas são um ótimo exercício para se fazer com crianças em casa ou na escola. Estimula percepção de cores e das formas, trabalha mudanças de planos, faz entender o comportamento de luz e sombra nas superfícies... Fica a dica!

Espero que tenham gostado.
Até a próxima! o/

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Coloridos fantásticos e onde habitam

Na vida de quem desenha existem problemas diferentes que pessoas normais não entendem, como por exemplo o medo de estragar um desenho pintando errado. Quem nunca deixou um desenho em preto e branco com receio de colorir e se arrepender? A pessoa que consegue passar o nanquim já é bem corajosa, né? rs

Antes de ter uma mesa de luz, ou os outros recursos digitais que tenho agora, ficava com medo de perder um desenho e acabava não evoluindo as etapas dele. Claro que existem excelentes técnicas de desenho finalizado somente à lápis, ou à nanquim, etc, mas não podemos usar técnica como desculpa para não transpor barreiras.

Pensando nisso, resolvi fazer um cappuccino com três dicas de como tornar esse processo de "desbloqueio" mais fácil. Tá tudo detalhado, o post vai ser gigante, mas espero que goste.

1. Leia sobre teoria da cor
Há um bom tempo, um camarada chamado Isaac Newton, conhecido pela história da maçã e gravidade, descobriu que um prisma era capaz de dividir a luz em um espectro de cores. Pensou que foi Pink Floyd com a capa de dark side of the moon? Não. Foi Isaac Newton mesmo. Sabe como é, né... Na época não tinha Netflix nem Facebook, então as pessoas acabavam fazendo esse tipo de coisa pra passar o tempo.

Voltando ao que interessa, essas cores são as cores do arco-íris, e Newton as organizou em um disco, na seguinte ordem: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Esse experimento originou o disco cromático que usamos em artes, porém, o de Newton fragmenta a luz branca em cores, e o outro disco estuda a mistura das cores pigmento (magenta, amarelo e ciano - também conhecidas como cores primárias) para obter as cores derivadas.


Fiz esse disco cromático para melhor entendimento do que seriam essas misturas de cores. Cores secundárias são as cores obtidas nas misturas entre as cores primárias. As cores terciárias, por sua vez, são obtidas entre as misturas de primárias com secundárias.

Agora, vou apresentar o esquema de relação entre as cores desse disco. Existem dois tipos principais de relações entre as cores: analogia e complementariedade. Cores análogas são aquelas que possuem estrutura parecida em relação à composição, ou seja, uma série de cores que possuem uma cor base em comum. Um jeito mais fácil de entender é olhando o disco. As cores "vizinhas" são sempre análogas, harmônicas entre si.



Já as cores complementares são aquelas opostas no disco cromático. Isso quer dizer que é uma cor formada por duas cores primárias, menos a cor que compõe a sua oposta. Bagunçou... Vou dar exemplo: roxo é complementar do amarelo, ou seja, a mistura que se tem para obter a cor roxa leva todas as cores primárias, menos amarelo.


Para explodir a cabeça agora, heim: existem ainda as cores semi complementares, que são as cores análogas da cor oposta. A cor complementar de roxo é amarelo; laranja, que é análoga de amarelo, é uma cor semi complementar de roxo. Entendeu? O uso de semi complementares possibilita contrastes mais suaves em uma composição.

E por último, não menos importante, a relação entre temperatura. "A máxima prevista para o azul nesta tarde é de 20°C com mínima de 15°C" Nããããoooo.... Não é isso! As cores podem ser classificadas entre cores quentes e cores frias.


A classificação entre quente e frio vem lá da Física, com o comprimento de onda das cores. Quanto maior, mais quente, e quanto mais curto, mais frio. Dúvida? Pensa nos dois cenários: um deserto de areia e montanhas nevadas - qual é quente e qual é frio? Qual a paleta de cores de cada um?

Observe estas imagens do concept art do filme O Rei Leão:

Do artbook - The Art of the Lion King

Na imagem da esquerda, as cores complementares foram usadas para destacar figura e fundo de uma cena alegre, em que as cores análogas e quentes dão ênfase a um momento feliz e divertido do filme. Na imagem da direita, uma paleta com cores análogas e frias foi usada para deixar o cenário do cemitério de elefantes sombrio e assustador.

Com base nesses conhecimentos sobre cores, você pode montar a sua própria paleta para colorir seus desenhos. Pense na sensação que quer passar, pense nas características do seu personagem... o que nos leva a dica número dois.

2. Faça cartelas de cores
Que materiais você tem em casa para colorir? Não importa se é tinta, canetinha, lápis de cor, todo material de pintura tem o mesmo valor e peso quando sabemos explorar as possibilidades. O primeiro passo é preparar uma cartela de cor para consultas.

Nem sempre a cor que vemos no bastão de lápis ou na tampa da canetinha corresponde exatamente a cor do pigmento que é deixado no papel. Para isso, é importante fazer um guia com nome e amostra de todas as cores que você tem.


Construir e consultar a cartela de cor faz com que a gente saiba exatamente como o material vai se comportar no papel e quais misturas precisamos fazer pra chegar a uma determinada cor ou algum efeito. O risco de fazer cagada besteira é bem menor.

3. Tente desapegar
Terceira e última dica é desapegar. Se você teve competência para fazer um desenho maneiro, com certeza vai ter competência para refazer. Falo por experiência própria que refazer uma criação ou replicar é sempre mais rápido do que criar do zero.

Não tenha medo de errar, pois aprendemos com os erros também. Faça desenhos menos importantes para poder praticar uma técnica nova. Ou ainda, compre um daqueles livros de colorir (ou aquele volume repetido de mangá que você comprou jurando que ainda não tinha). A cada página experimente uma técnica nova, combinações de cores, combinações de materiais... e ao final, você vai ter um livrinho cheio de referências do que fazer, e também do que não fazer.

Olha quanta coisa disponível no mercado!

E aí, gostou? Se você tiver mais dicas, dúvidas, ou quiser contar sua experiência no assunto, deixe um comentário, por favor. Ajudará bastante. =D

Nos vemos no próximo post. Até logo! o/

quinta-feira, 4 de maio de 2017

May the 4th

Fala, galera! Aqui é Yuri, o cara*... não, péra. Aqui é a Nane mesmo.
Hoje, como em todos os anos nesta data, é comemorado o dia de Star Wars. A explicação é a pronúncia parecida das frases em inglês "May the force be with you" (que a força esteja com você) e "May the 4th be with you" (4 de maio esteja com você).

Fãs e nerds do mundo inteiro estão comemorando esse dia postando em redes sociais algo relacionado com o tema. Hoje passei algumas horas desenhando também.

Cenas do filme e rascunho do desenho de hoje.

A inspiração veio de uma das cenas do filme Star Wars - Episódio 4 - Uma Nova Esperança, em que Luke Skywalker fica andando num pântano pra lá e pra cá com Yoda nas costas. No caso, eu estou como o Mestre Yoda e o Sr. Momotaro está como Luke, porque o coitado sofre comigo.

Desenho finalizado.

Para finalizar usei nanquim - caneta e tinta -, marcadores Tombow, lápis de cor e caneta gel branca. Foi divertido desenhar essa cena, pois além de ser o primeiro desenho de Star Wars com um mínimo de decência que faço, lembrei de quando assisti aos filmes pela primeira vez e me peguei rindo sozinha várias vezes, igual uma doida.

Fico por aqui. Que a força esteja com você! o/
Até a próxima.

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*Yuri é youtuber do canal Como Assim, Cara?

domingo, 30 de abril de 2017

Link de Zelda

Já jogou Zelda?
Desde criança escuto falar nos jogos dessa franquia, mas foi depois de velha que comecei a jogar de fato. Os jogos e o videogame são do Sr. Momotaro, mas a gente tem um esquema de "morreu, passa o controle" que costuma funcionar.

Até agora tive contato mais próximo com dois desses joguinhos para Nintendo Wii U: Zelda - The wind waker e Zelda - breath of the wild. É o mesmo universo, mas historinha e aventuras diferentes. A ambientação e a construção da narrativa são maravilhosas e os jogos conseguem ser bem imersivos. Quero dizer, o gráfico não é hiper-realista - e nem tem necessidade, mas a jogabilidade e a forma como a história é contada fazem com que a gente entre no jogo de maneira bem forte.

O personagem que normalmente controlamos no jogo se chama Link, um guerreiro cujo objetivo é salvar o reino de Hyrule de algum mal. Zelda é a princesa desse reino, amiguinha do Link. E essa explicação toda sobre o jogo é apenas para contextualizar um desenho que fiz recentemente em pastel oleoso.

Siiiim! Pastel oleoso de novo, galera! Estou viciada nesse material. Pra quem é ansioso, tem pouco tempo pra desenhar e gosta de finalizar o que começou, é perfeito. Tirei uma tarde dessas para pintar o Link com pastel oleoso. Como referência, usei o visual do jogo the wind waker.

Imagens de referência

Aí você junta uma caixa de pasteis oleosos, papel A3 e uma esteira de palha numa varanda e voilà. Combinação perfeita pra uma tarde de sábado (ou domingo, ou feriado, ou qualquer dia).

Processo

Algo que passei a apreciar bastante no uso de pastel oleoso é o acúmulo de camadas de pigmento e a marcação do gestual. Conseguimos deixar "rastros", isto é, podemos perceber a quantidade de tinta, de força e de velocidade empregada em uma área pintada observando o material sobre o papel.

Detalhes

Gosto também de como as cores se misturam. Na área verde tem mistura de alguns tons de azul e de amarelos, e no cabelo loiro do personagem usei quase todas as 36 cores do estojo. Sem dó! Acho que quanto mais misturas fazemos, mas interessante o resultado fica. O legal do pastel oleoso é que, se por acaso erramos uma cor, podemos raspar a área e começar de novo, oooou sobrepor camadas de outras cores como se nada estivesse acontecido. Visualmente o substrato (papel, tela, madeira) fica texturado, cheio de relevo.

A tinta a óleo também permite trabalhar com essas sobreposições de camadas e misturas, porém, devemos considerar o tempo para secar e o cheiro forte do diluidor. A vantagem do pastel oleoso, ao meu ver, é justamente a praticidade do imediato. Não preciso esperar nada secar e a alergia não ataca.

Resultado.

Considerando o bastão de pastel, quanto maior a área para se trabalhar, mais podemos desenvolver detalhes nos desenhos. Naquela visão aproximada lá em cima, vemos borrões de tinta, mas olhando afastado (de uma certa distância),  as cores se misturam. Fiquei feliz com o resultado.

Até a próxima! o/

quarta-feira, 22 de março de 2017

Pegando uma corzinha na praia

Nós, que não conseguimos ficar muito tempo sem desenhar, vivemos situações bem esquisitas de vez em quando e que só são entendidos por outras pessoas que também desenham. Quero compartilhar neste post uma história das minhas férias envolvendo materiais de desenho.

Tirei uns dias de folga do trabalho e meu marido sugeriu fazer uma viagem à praia, ficar uns dias fora de casa, passear por aí e dar aquela relaxada. A primeira coisa que passou na cabeça foi: "o que vou levar pra desenhar?" Nessa hora passei um dos maiores dramas de escolha da minha vida!

É sempre assim.

Tenho um estojo bem antigo, que abre e fecha com sistema de dobras, e ele é próprio para guardar material de desenho, pois vem com uns elásticos nos quais consigo encaixar lápis e canetas. Nele também tem espaço para itens pequenos, como borracha e apontador. Por conta dessa possibilidade de organização e pela grande vantagem de ocupar pouco espaço na bolsa, decidi levar os materiais nele.

Super prático!

Comecei escolhendo materiais que estou usando com mais frequência, como aquarela. Coloquei no estojo a caixa com aquarela em pastilhas e o pincel com reservatório, depois peguei 3 pontas diferentes de nanquim, lápis grafite, lápis azul pra desenho, caneta gel branca, lápis carvão branco e vermelho, borrachas e apontador. Sobraram 14 espaços, que eu quis preencher com lápis de cor.

Faltava escolher a paleta.

Grande questão do dia: da minha gaveta com mais de 50 cores diferentes, quais 14 cores escolher para levar na viagem. Por um minuto imaginei a vida sofrida da pessoa que precisa separar 12 cores diferentes de lápis de cor nas fábricas para colocar na caixa pra vender, e invejei quem monta aquelas maletas supercaras com mais de 100 cores.

Se identificou?

Ennnnfim, vou contar como saí dessa enrascada. Depois de respirar fundo e me acalmar, comecei a usar a lógica e meus conhecimentos sobre teoria da cor. Minhas primeiras escolhas foram os lápis preto, branco, amarelo, azul e magenta (um rosa mais puxado pro vermelho, sabe?). O lápis preto porque me dá variação de cinzas, e o lápis branco porque suaviza a passagem das cores no uso de degradê, e as outras três cores puras primárias - isto é, as que originam as demais cores.

A mistura entre cores primárias dá origem às cores secundárias.

E a possibilidade de escurecer a mistura dessas cores usando o lápis preto, me economizou 6 cores. Ou seja, Com apenas 5 lápis eu poderia fazer misturas que equivaleriam a mais de 11 lápis. Nesse momento, a minha dó pela pessoa que monta caixinhas de 12 cores já tinha passado.

Economia no material escolar das crianças! rs

Por fim, minha configuração ficou desta forma:

Paleta das férias.

Escolhi cores mais difíceis de obter com mistura ou que me dariam muito trabalho pra fazer, como rosa claro, ocre, sépia, verde-azulado (azul-esverdeado), verde esmeralda... E a partir da mistura dessas novas cores com as cores primárias, eu tinha muito mais possibilidades.

Não é só com lápis de cor que essa regrinha vale. Você pode economizar rios de dinheiro comprando apenas potinhos e pastilhas de tinta nas cores primárias e misturando elas no godê até conseguir a matiz desejada. Mas aí vai da preferência de cada um também. =P

Você já passou por uma situação dessas? Me conta!

Até a próxima!