quarta-feira, 18 de abril de 2018

Como disse Van Gogh...

Há muitos anos atrás, depois que inventaram a fotografia, as artes começaram a se libertar um pouco do formalismo. Resumindo em poucas palavras, rolou o seguinte: o realismo a fotografia já faz, bora explorar coisas novas! E a partir daí os pintores começaram a estudar mais a física da cor, os novos materiais, novos formatos, variações de tempo, novas técnicas. Esse período inicial de mudança, conhecido como Impressionismo, ganhou meu coração.

Um dos artistas que admiro muito o trabalho, que infelizmente teve uma trajetória muito curta, é o holandês Vincent Van Gogh. Recomendo, inclusive, um filme biográfico chamado Com amor, Van Gogh (tem no Netflix). É bem interessante, principalmente pela técnica de animação usada para fazer o filme, que simula o estilo de pintura do artista do começo ao fim. #sóamor

Livro da coleção Grandes Mestres, da Editora Abril

Mas por que eu tô falando dele? Porque foi a partir de uma frase dele que tive ideia pra um estudo com lettering e tinta acrílica: "Coloquei meu coração e minha alma no trabalho e perdi minha mente no processo". Essa fala sintetiza não só os momentos de "insanidade" dele, mas como representa o nosso fazer artístico. Quantas vezes ficamos imersos num trabalho/projeto e nos desligamos do mundo?

Quando li a frase, pensei "preciso escrever isso". E, como uma coisa vai puxando a outra, passei a pensar em como escrever, onde escrever, para quê, essas coisas todas... Fui buscar inspiração relendo o livro que mostrei acima, e encontrei numa página o recorte de uma das obras mais famosas dele - Noite Estrelada (Ciprestes e Vila).

Detalhe de Noite Estrelada no livro.

Nós aprendemos a ler obras de arte na escola, e o exercício geralmente é acompanhado com um pedido de releitura. Quando estudamos História da Arte na graduação, esse exercício criativo dificilmente existe, e ficamos no processo teórico. No estudo de hoje tive oportunidade de praticar um pouco da teoria.

Longe de mim querer ser Van Gogh, ou ter pretensão de fazer algo igual ao que ele fazia, até porque o contexto (histórico, cultural, político, tecnológico, etc) é completamente outro.

Van Gogh usava tinta à óleo, e para a proposta que tinha em mente optei trabalhar com tinta acrílica, que como expliquei aqui no blog, proporciona efeito parecido. Depois de definir o material, escolhi o tamanho da área para trabalhar e fiz testes de composição com a frase - que preferi trabalhar em inglês.

Testes de composição e estilo das letras.

A ideia original seria dividir o A4 para fazer dois quadrinhos A5, nos quais um traria a releitura e o outro traria a frase escrita. Porém, pra conseguir dar ideia de continuidade, o ideal seria trabalhar com o papel inteiro e só depois cortar.

Tinta acrílica sobre papel offset 120g/m²

O processo me tomou completamente, fiquei imersa o tempo todo! Quando preenchi a área do papel que emolduraria a frase, confesso que senti uma leve tristeza em ter terminado. Foi uma experiência muito gostosa e que casou perfeitamente com meu lado ansioso.

Dos testes de composição para o texto, escolhi usar o que simulava a letra de Van Gogh. Para chegar nessa letra, dei uma estudada nas assinaturas do artista em suas telas a fim de entender o gestual dele ao assinar. O resultado pode ser observado na imagem abaixo.

Frase escrita com letra inspirada na assinatura de Van Gogh.

Fiz direto no pincel, misturando as cores em cada pincelada. Deu um trabalho danado, mas considerei o efeito que consegui bastante satisfatório para a proposta.

Detalhe da grafia.

Depois de ver pronto, fiquei numa dúvida se deveria fazer a composição com dois quadros A5 ou se manteria a peça inteira em uma moldura A4. Aceito sugestões.

Estou em dúvida sobre qual composição fazer.

Meu processo criativo não encerra aí. Acredito que compartilhar a experiência no blog também faz parte desse processo, e como tal, vai rendendo ideias novas e desdobramentos. Enquanto escrevia, pensei que poderia fazer uma série com outros quadros de Van Gogh, e também que valeria experimentar emoldurar frases de outros artistas seguindo seus estilos.

Você tem artistas preferidos? Quais são suas referências? Acredito que fazer uma visita a eles te proporcionará um dia bastante agradável. O que acha da proposta?

Até a próxima! o/

terça-feira, 20 de março de 2018

Estampa - Zelda Breath of the Wild

Tô eu falando de Zelda de novo né... pra variar!
Na verdade, eu vou falar é de processo criativo, e qualquer coisa pode ser motivo para o despertar da produção. No meu caso, a inspiração veio desse jogo de videogame que é puro amor! Toda vez que jogo, sinto vontade de desenhar, pois o visual é incrível, os cenários e personagens maravilhosos...

Olha esse artwork! 

Num desses surtos de tietagem, fiz uma série de desenhos do personagem principal - Link - no sketchbook, mostrando algumas atividades dele durante as missões do jogo. Na época eu estava a todo vapor com as tirinhas do Casal Chan, daí usei mais ou menos o mesmo estilo simples pra desenhar. Foram despretenciosos, sem caráter de estudo, apenas por diversão e passatempo.

Desenhos feitos inspirados no jogo Zelda.

Ficou lá no sketchbook por meeeeses! Não sei se você faz isso, mas tenho costume de olhar meus desenhos antigos de tempos em tempos. Principalmente quando quero desenhar e estou sem inspiração. Ver os rabiscos antigos pode nos trazer alguma ideia nova, é importante guardar tudo.

Bom, seguindo com a história... Olhei novamente pros desenhos e pensei cá com meus botões: "Até que daria uma estampa legal se estivesse colorido." Então, desses quatro desenhos, escolhi um pra colorir digitalmente da maneira mais simples possível.

Colorização digital de um dos desenhos.

Fiquei em dúvida entre esse do paraquedas e aquele cozinhando. Acabei escolhendo o que gastaria menos tempo, pois estava num dia corrido! Em seguida, apliquei digitalmente o desenho em modelos de camisa e caneca pra testar a estampa. Gostei bastante do resultado.

Camisa e caneca com estampa do Link de paraquedas.

Costumo trabalhar com caricaturas e fanarts para produtos/presentes personalizados em casos de encomendas de ilustrações, raramente faço algo para uso pessoal. Foi bem legal! Vou colorir os outros desenhos também quando tiver um tempo livre, talvez adicionar alguma frase engraçadinha pra compor... Vamos ver, né! rs

Ah sim, agora vem a parte importante da história toda: assim como o jogo me inspirou pra fazer uma estampa, alguma coisa do seu universo pode te inspirar também. O processo criativo veio em etapas com intervalos de tempo bem distantes. Isto é, quando desenhei o personagem no sketchbook, não pensava naquilo como estampa de nada. Somente um segundo olhar para a produção que deu o estalo para transformá-la em um "produto".

Gostou, se interessou, tem alguma história parecida pra contar? Vamos trocar ideia aqui nos comentários! ;)

Abração e até a próxima! o/

sexta-feira, 9 de março de 2018

Art trade - Sheena Fujibayashi



Quanto tempo não rolava um art trade nesse Cappuccino, heim!

Dia desses, a Joyce (Caixola) me mostrou o processo de uma fanart que estava fazendo de uma personagem do jogo Tales of Symphonia. Não conhecia o jogo, muito menos a personagem, mas quando vi o rascunho, achei tão bonito e interessante que perguntei pra Joyce se por acaso poderia arte-finalizar em nanquim.

Pra minha felicidade, ela topou e disponibilizou o arquivo do rascunho, feito no Clip Studio Paint, para imprimir. Além disso, me enviou várias imagens do jogo e da personagem para que eu tivesse referência visual, e ainda contou um pouco da história pra me situar no universo do jogo. <3 p="">

Sheena e Corrine - fanart Tales of Symphonia
Por: Joyce Carmo

Me amarro em processos assim! É um exercício bem legal poder finalizar um desenho que a gente não fez, sabe? Quando o desenho é nosso, ao cometer um deslize, podemos fingir que foi intencional, ficar por isso mesmo, mas desta forma não crescemos; quando o desenho não é nosso, a atenção aumenta e o erro se torna um incômodo, e com ele aprendemos a ser mais cuidadosos e certeiros.

Após algumas horas na mesa de luz, o resultado foi este:

Desenho finalizado em nanquim

Eu não fazia nada neste estilo há um bom tempo! Gostei de poder desenferrujar e contribuir com uma etapa do processo, e de descobrir que minhas canetas ainda não secaram. Imprimi o rascunho em papel A4 e nas linhas usei pontas 0.3 e 0.8, preenchendo as áreas maiores com uma brushpen.

Já fez algo assim antes?
Deixa um comentário contando sua experiência. ;)

Até a próxima!

segunda-feira, 5 de março de 2018

Tinta Acrílica - material que usei no painel de flores

Olá! No post anterior prometi fotografar os materiais que usei para fazer aquele painel de flores de capuchinha. Estou aqui para honrar o compromisso e explicar tudo direitinho pra você.

Para começar, vou falar um pouco sobre a tinta acrílica, que foi a usada na pintura. Diferentes das outras tintas mostradas aqui no Cappuccino, é um material com o qual não costumo trabalhar com frequência. Tinta acrílica, também ocasionalmente conhecida como tinta plástica, é uma tinta feita à base de resinas sintéticas da família dos polímeros. Suas principais características são a flexibilidade e elasticidade que dificultam o craquelamento ao longo do tempo, a rápida secagem, o efeito de brilho e, por último, não menos importante, não faz tanta sujeira quanto as outras tintas de secagem lenta.

Além das características citadas acima, a tinta acrílica também possui um valor de mercado mais baixo em relação as outras tintas, o que a torna bem acessível. Podemos encontrar desde tintas acrílicas voltadas ao uso escolar e/ou artesanato, até as de uso profissional.

Minhas tintas acrílicas.

A tinta que comprei pra experimentar foi a da marca Acrilex, na embalagem de bisnaga, nas cores: 320 - preto, 319 - titânio (que é o único branco que existe para tinta acrílica), 340 - amarelo de cádmio claro, 312 - vermelho cádmio e 348 - azul ultramar claro.

Materiais usados no painel de flores.

No painel todo usei apenas dois tamanhos de pincel chato da Keramik, 12 e 18. O papel foi um cartonado para embalagens, tamanho 48 cm x 66 cm. Comprei baratinho a embalagem com 20 folhas desse papel em uma loja distribuidora de materiais. Não é o melhor papel do mundo para pintura, mas escolhi pelo tamanho e preço.

Papel cartão - VMP Papéis

Recebo por e-mail pedidos de orientação/indicação de cores de tintas para comprar. Bom, quando o objetivo é estudar e aprender mais sobre um determinado material, eu aconselho sempre começar pelas cores básicas: amarelo, vermelho/magenta e azul; e se tiver possibilidade, levar preto e branco também. Essas são as cores que dão origem a todas as outras, então com capital reduzido e um pouco de paciência, você pode criar sua própria paleta por meio das misturas obtidas.

Misturas das cores básicas entre si.

Acima temos as misturas de partes iguais entre cores básicas, gerando cores secundárias. Alterando as quantidades de cada parte, ou então dosando os resultados com preto e branco, a quantidade de cores diferentes vai ser beeeem maior. Sobre combinação de cores e suas relações, recomendo ler este post que fiz sobre teoria da cor.

Quando fizer os testes, anote certinho a quantidade de tinta de cada cor utilizada em cada mistura. Isso vai ajudar a refazer suas cores caso acabem. No caso da tinta acrílica, por secar muito rápido, uso porções pequenas de cores e as refaço sempre.

Em relação à diluição da tinta, pode-se usar água ou médium acrílico (que é a resina acrílica). Quando diluída em água, a tinta tende a secar mais rápido, mas é possível conseguir efeitos de aguadas e velaturas. O médium deixa a tinta mais pastosa e densa, ideal para cobertura total do substrato.

Diferentes consistências da tinta acrílica.
 (Foto: Guia Completo Materiais e Técnicas, editora Martins Fontes, página 81)

Gosto bastante de preparar esses conteúdos para o blog. Apesar de ser um relato pessoal de experiência com tinta acrílica, espero ter ajudado aí quem está começando a se aventurar nesse caminho.

Se você já usa tinta acrílica ou tem alguma dúvida em relação ao material, podemos sempre trocar ideia nos comentários. Fico no aguardo!

Até logo! o/

sábado, 3 de março de 2018

Conversinha de início de ano.

Cá estou, terminando um "ano sabático" (se considerar faxinar a casa como projeto pessoal). Verdade seja dita, depois de passar uns anos em agência de publicidade, busquei a experiência de trabalhar apenas como freelancer pra ver no que dava. 

Não sei se você já passou por isso, mas caí na armadilha de virar diarista em vez de viver o glamour do home office. É muito complicado trabalhar em casa sem ser cobrada psicologicamente por manter a casa um brinco! Tive bastante dificuldade ao longo do tempo para conseguir me adaptar, mas finalmente estabeleci horários ideais para cada tarefa, incluindo momentos de lazer e atividades físicas. \o/ Uhuuuu!!!

Vamos às novidades: comecei uma pós-graduação em História da Arte. Estou bem animada com o início das aulas e espero poder trazer mais conteúdo pro Cappuccino. Depois aí de alguns anos fora do ambiente acadêmico, estou bem ansiosa para essa volta às aulas. Confesso que me dei ao luxo de ir na papelaria escolher material.

Minha produção pessoal/experimental, no entanto, ficou parada por um tempo e estou retomando aos poucos. Além das tirinhas do casal Chan, que estão sendo publicadas no meu Instagram, comecei a estudar colorização e pintura com tintas diferentes.

Inclusive, dia desses arrisquei uma pintura com tinta acrílica. Não registrei o processo, mas vou deixar foto aqui do resultado e, assim que eu puder mexer com esse material novamente, farei o possível para registrar as etapas.


A ideia era pintar alguma coisa pra pendurar em uma das paredes da cozinha, porque passo grande parte do dia olhando pra ela. Usei a paleta de cores do ambiente, e como motivo escolhi uma flor comestível chamada "capuchinha". Minhas referências foram os artistas impressionistas como Cézanne e Juan Gris (amigo de Picasso), o expressionista Pollock, e o artista plástico capixaba Vinícius Zocolotti - que tem um trabalho fantástico com tinta feita de cera de abelha.

Esse estudo é bem grande, gastei tinta pra caramba, pois o papel de base tem 66cm x 48cm. Usei pincel chato (tipo de cerdas) nele todo, até para fazer os respingos.

Quer saber de uma coisa? Eu vou fotografar tudo que usei e faço uma postagem mais detalhada depois sobre a produção desse painel. Ficamos combinados assim?

Até a próxima!



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Estudos de fim de ano. Tchau, 2017!

Pra variar, mais um ano que mal começou já está acabando. 2017 foi um ano bem tenso, cheio de reviravoltas e perrengues, mas torço para que todos os problemas iniciados neste ano possam se resolver em 2018.

Sobre os estudos de fim de ano, que por acaso intitulam este post, além de brincar com carimbos de isopor, voltei a mexer nas aquarelas. A ideia surgiu na época em que estava empolgada com os estudos de lettering, e comecei a pensar em fazer uma série de cartõezinhos de boas festas para o fim de ano.

Sentada no sofá, assistindo TV, rabiscando despretenciosamente no sketchbook... até que 4 modelos de cartões brotaram no papel. Dois para Natal e dois para Ano Novo.

Início da colorização.

Passei os desenhos para um papel de gramatura alta, a fim de finalizar com aquarela. Fiz a linha com grafite bem clarinho e comecei preenchendo as cores mais claras. Depois passei para as cores mais escuras. A paleta principal foi composta pelas cores: ocre, vermelho e verde.

No lugar do ocre, eu gostaria de ter usado dourado, mas como seria digitalizado depois, não daria certo usar tinta especial no original. Sendo assim, tentei fazer os efeitos com o ocre mesmo, trabalhando passagem de nuances e aguadas.

Preenchimentos das demais cores.

Dos quatro cartões, dois deles tiveram temática japonesa. Um dos cartões de ano novo trazia um cachorrinho, pois o ano de 2018 é o ano do cachorro no horóscopo chinês (também seguido no japão); e um dos cartões de Natal trazia um daruma como a figura de Papai Noel.

Finalização dos cartões.

Depois que a tinta aquarela secou, trabalhei com nanquim preto e tinta acrílica branca para fazer detalhes de contorno e escrita nas faixas.

A ideia era imprimir cópias e distribuir para os amigos e familiares, mas o máximo que consegui foi postar a imagem de um deles no Instagram. Mas há males que vem para o bem. Cometi alguns erros de execução - por exemplo, o ideograma de cachorro, que em vez de 狗 deveria ser 戌. Mas eu corrijo em breve, e em relação aos de Natal, posso guardar para o próximo ano.

Protótipo digital dos cartões de fim de ano.

Posso até não ter conseguido distribuir os cartões do jeito que queria, mas pelo menos fico feliz de poder compartilhar com você aqui pelo blog. Saiba que desejo um ótimo fim de ano a todos, e que 2018 seja infinitamente melhor. Que essa crise passe, que as pessoas se respeitem mais, que as distâncias diminuam e que sonhos se realizem!

Obrigada por acompanhar o Cappuccino!
Ano que vem tem mais. ;)
Até a próxima!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Matriz de isopor

Olá, meu bem!
Minhas vizinhas de blog e eu costumamos nos reunir praticamente todo dia para falar de arte, desenho, técnicas, vida... E numa dessas, conversando sobre cartões de Natal e a dificuldade de se conseguir uma matriz boa para imprimir em casa, a Débora (@imagineiilustrei) me sugeriu fazer umas gravuras em isopor de bandeja de frios.

Pra minha sorte, ela também fez e enviou imagens do resultado e dos materiais que havia usado. Daí, inspirada e empolgada, hoje arrumei uma bandeja de isopor e me aventurei. Vou mostrar o passo a passo aqui pra você tentar fazer em casa também.

Passo a passo:

Materiais utilizados

Utilizei bandeja de isopor, dessas de embalagens de comida e de qualquer cor; tesoura (para maior segurança, use tesoura sem ponta); estilete (crianças devem ser supervisionadas por adultos, ok?); caneta esferográfica; lapiseira; tintas ou canetinhas hidrocor.

A primeira coisa que fiz foi recortar as laterais da bandeja, para aproveitar somente a área plana do fundo. Algumas bandejas não possuem essas bordas, mas se tiver, é bom remover pra facilitar o manuseio e, além disso, o carimbo deve ser trabalhado em uma área totalmente plana.

Primeiros passos

Depois de cortas as bordas, eu comecei a desenhar os carimbos. Ao fazer isso, precisamos riscar bem de leve para não sulcar o isopor. Usei como primeiro molde a folha de uma planta que tenho em casa. Acho o desenho dela muito bonito! Em seguida é só recortar o desenho com tesoura ou estilete.

Dependendo do tamanho da bandeja, dá pra fazer mais de um desenho. Ou então pode usar a placa como se fosse uma matriz inteiriça e fazer um único desenho ocupando ela toda. No meu caso, optei por fazer vários desenhos de tamanhos e formatos diferentes para testar.

Minhas matrizes

Os detalhes de ranhuras das folhas foram feitos usando estilete e a ponta da lapiseira. Qualquer marcação que fizer no isopor vai resultar em uma cavidade, que ao entintar, não será visível na impressão. Isto é, a tinta só ficará na superfície plana.

Na figura abaixo se pode observar essa característica no resultado das impressões de testes. Entre os materiais usados para entintar, estão canetinhas hidrográficas, aquarela e marcadores Tombow.

Folha de testes

Ao ver os carimbos prontos, comecei a pensar nas composições que daria pra fazer usando eles. Como são móveis e podem ser entintados várias vezes, a variedade de resultados é muito vasta. Fora que o processo como um todo é muito divertido, e pode servir como ferramenta para atividades pedagógicas.

Resultados:

Exemplos de composições

Em relação aos materiais que usei pra colorir, o que mais deixou resíduo no papel foram as canetinhas hidrográficas. Para conseguir um bom resultado com aquarela, a tinta deve ser pastosa e com pouquíssima água. Não usei acrílica nem nanquim nos testes, mas pela experiência que tenho com essas tintas, recomendo que as matrizes sejam imediatamente lavadas após o uso, pois ao secar, podem impossibilitar o reuso dos carimbos.

A cabeça está a mil pensando em outras maneiras de usar os carimbos que fiz, novas cores, novos formatos... Vou inclusive escanear e transformar em brushes personalizados para usar no Photoshop, pois essa textura do isopor no papel ficou bem interessante.

Fico por aqui! Qualquer dúvida ou sugestão, sabe onde me encontrar.
Até a próxima! o/