quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Treinamento é fundamental!

Ei, tudo certo? Desenhando bastante?
Voltei a trabalhar em casa, e entre um serviço de design e outro, sempre aparece ilustração para fazer. Caricaturas, mascotes, quadrinhos, os desafios que aparecem são muito gostosos de resolver.

Algo que tanto iniciantes quanto profissionais mais experientes nesta área precisam saber é que se exercitar constantemente é fundamental. Gosto de fazer o paralelo com jogadores de futebol, que ficam a semana toda treinando entre os jogos. Assim somos nós, desenhistas. Precisamos treinar todos os dias, mesmo sem um trabalho em vista, para virarmos craques!

Dia desses vi este post no Caixola que falava exatamente sobre prática de acabamento em linhas usando desenhos que foram descartados ou que foram rascunhos despretenciosos. Empolgada com a dica, e com o vídeo maravilhoso da Joyce passando uma brushpen no desenho, catei uns rabiscos antigos para finalizar à nanquim.

Gender bender da Mary Poppins. 

Estudo em nanquim, com base em foto do vocalista da banda One Ok Rock.

Algumas pessoas não entendem muito bem essa nossa necessidade de desenhar sempre, não é? Existem aqueles aspirantes a ilustradores que querem saber desenhar bem do dia para a noite; e aquelas pessoas (normalmente os parentes que te aconselharam o vestibular para medicina) que acham que a gente fica rabiscando o dia todo por falta do que fazer. É engano pensar assim.

Desenhar é uma maneira da gente treinar e aguçar um monte de capacidades intelectuais de forma prazerosa. Matemática, raciocínio lógico, equilíbrio, proporção, direcionamento de atenção, física, anatomia (humana, animal e vegetal); percepção de texturas, planos e profundidades; criatividade e capacidade de resolver problemas. A lista é bem grande.

O olhar de desenhista é quase um superpoder!

Não quis assustar ninguém com a imagem acima! É puramente motivacional, galera. xD

Confesso que ainda fico bem chateada quando fazem descaso da minha profissão (às vezes até sem querer - parentes fazem muito isso), mas hoje tenho conhecimento na área e maturidade o suficiente para não me deixar abalar tanto.

Pra variar, comecei o post falando de uma coisa e fui mudando ao longo do caminho. Mas acredito que tenha por aí quem se identifique com o que eu escrevi aqui, e espero ter ajudado de alguma forma. Enfim, vamos continuar treinando, ok?

Até a próxima! o/

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Prancheta de papel paraná

Olá! Desenhando muito?
Estou trabalhado em casa, e quando tenho um tempo entre um serviço e outro, procuro fazer exercícios de desenho. Tanto os tradicionais de observação quanto teste com materiais.

Meu primo, que é artista plástico, me sugeriu desenhar ao ar livre também, ir para um parque e fazer estudos lá. Achei a ideia muito boa, e cheguei a sair de casa com esse propósito algumas vezes, mas esbarrei em uma pequena dificuldade: falta de apoio para desenhar.

Nãããão, não me refiro a apoio moral. Estou falando de suportes como pranchetas ou cavaletes. A única prancheta portátil que tenho é aquela de escritório, tamanho ofício, sabe? Que prende o papel em cima e talz. São bem úteis, mas acabam me impossibilitando fazer estudos em formatos maiores, como A3, por exemplo.

Cheguei a procurar algumas mais voltadas à desenho na internet, achei vários modelos de pranchetas e cavaletes, de vários preços diferentes... mas o que fez meus olhos brilharem foi uma dica do canal de artesanato Maria Amora, que ensina a fazer uma prancheta com papel paraná!


Esse canal tá cheio de coisa maneira pra fazer com papel.

Mas ó, pera lá! A ideia da prancheta de papelão (ou papel paraná) é uma solução para quem precisa transportar isso pra lá e pra cá, como eu pretendo fazer. É algo leve de se carregar, não vai me causar desconforto, e eu posso guardar em algum cantinho da casa.

Em meu humilde atelier tem uma mesa de luz com inclinação própria para trabalhar com desenho. Então, se você pretende montar uma estação de trabalho adequada, ainda que um pouco mais caro, sugiro investir em materiais duráveis para isso. Mesas ou pranchetas que vão te acompanhar por um bom tempo! 

Nas pesquisas que fiz em relação a custo x benefício, achei a marca Mocho Artes, que oferece pranchetas dobráveis e portáteis, de tamanhos variados, feitas com MDF. No youtube tem vários vídeos com review, eu assisti a este aqui do Canal Crás Conversa.

Espero que tenha curtido a dica. Fico por aqui.
Até a próxima! o/

segunda-feira, 24 de julho de 2017

HQ - o início das tirinhas do #casalchan

Hoje vou postar aqui algumas das tirinhas que andei fazendo - e que quando posso, continuo produzindo - baseadas em acontecimentos da minha vida. Quando ficam prontas, vão para o Instagram, mas como elas são sequenciais, acredito que lá não seja a melhor ferramenta para visualizações posteriores. Por isso, postarei aqui também.

Vou começar pelo arco do #mermay - movimento em que vários artistas desenhavam sereias durante o mês de maio (mer, de mermaid: sereia, em inglês; may: maio, em inglês). As tirinhas começaram quando percebi que as sereias que eu estava desenhando não eram... hmm... sereias "de verdade".





Espero que tenham gostado.
A sua vida também renderia uma série em quadrinhos? Aposto que sim. rs
Até a próxima! o/


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Casal em nanquim

Oi oi oi...
Quem tem dificuldade de desenhar em um A3 levanta a mão. o/

Falei no post anterior da importância de desenvolver o gestual desenhando em formato maiores. É um desafio e tanto, mas depois que a gente se acostuma ou aprende uns "truques", a coisa fica bem mais simples. Recentemente tenho trabalhando em projetos de desenho muito legais que exigem tamanhos diferentes dos que estamos acostumados. Hoje vou falar um pouco sobre o desenvolvimento de um desses desenhos, e explicando a importância de ter um planejamento prévio.

Sketchbook.
Nada mais nada menos que o nosso famoso caderninho de rabiscos, onde as ideias devem ser anotadas, onde os estudos podem ser feitos, sem preocupação se o que você está fazendo lá vai virar uma obra prima. Antes eu ficava com essa paranoia de "ahh, tenho que fazer só desenhos lindos no meu sketchbook"... Na moral? Se você tá assim, desapega desse pensamento e seja mais feliz. rs

No projeto que vou detalhar, tudo começou com um pequeno esboço no caderno, como pode ser visto na imagem abaixo.

Página do sketchbook com a ideia // detalhe

A minha preocupação nessa miniatura foi basicamente estrutural, pois precisava fazer um desenho em formato maior depois, um A3 (29,7cm x 42cm). Então, no primeiro rascunho houve definição de enquadramento, composição, equilíbrio... essas coisas.

Rascunho, esboço, rafe... chame do que quiser.
Esportistas treinam antes dos jogos, bandas ensaiam antes de apresentações, assim como desenhistas esboçam antes de desenhar. É assim que a gente consegue um resultado mais seguro do que fazemos.

No desenvolvimento do projeto, meu segundo rascunho foi feito com o objetivo de passar a ideia inicial para o tamanho final. Precisava testar se o que foi idealizado na miniatura funcionaria na escala maior antes de sair gastando papel e nanquim com tentativa e erro.

Segundo rascunho, em tamanho final.

Sobre formatos: o A3 é o dobro do A4, daí, pra não ficar gastando papel de tamanho especial com rascunho, juntei duas folhas de papel A4 com fita adesiva transparente para poder rascunhar. Nesse esboço eu já tive noção melhor de como a composição se adequaria ao formato final, o que poderia ser valorizado e o que deveria ser descartado.

Desenho limpo e finalização.
Com ajuda da mesa de luz, fiz um desenho limpo à lápis. Isto é, passei para o papel apenas as linhas importantes do rascunho, bem de leve, para trabalhar o nanquim depois.

O desenho limpo já foi feito em papel especial, alta alvura (nome chique pra "muito branco"), liso, formato A3. Depois passei o nanquim por cima das linhas usando pincel fino. No preenchimento de grandes áreas pretas, usei pincel maior.

Resultado.

Desenho pronto, emoldurado e entregue ao casal, que ficou feliz e deixou compartilhar o processo todo aqui no blog. Muito obrigada!

Rascunhar, testar, estudar, fazer e refazer é cansativo, mas precisamos muito disso para conseguirmos um bom resultado do desenho que pretendemos entregar. Eu sei que os mais ansiosos gostam de fazer tudo de uma vez, de primeira, rápido... Mas quanto mais tempo e carinho a gente dedica a um projeto - seja ele qual for -, mais qualidade terá.

Espero que tenham gostado. Qualquer coisa, já sabe, né? Deixe um comentário ou envie um e-mail para o endereço ali no perfil. Vamos compartilhar nossas experiências.

Até a próxima! o/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Giz de cera sim, por que não?

Da primeira vez que falei sobre os gizes de cera aqui no blog, ele estava no contexto de um post sobre definição de crayon. Desta vez, vou dedicar mais uns parágrafos a esse produto que comumente é "desvalorizado" por quem considera apenas um material escolar infantil - privando-o, por preconceito ou por desconhecimento, de todas as outras possibilidades artísticas que proporciona.

Minha caixa de giz de cera.

Quando decidi usar a caixa de gizão de cera fazendo desenhos no meu caderninho 20x20cm, fiquei frustrada com o material. "Essa porcaria não me deixa trabalhar detalhes" - pensei. Mas acontece que, perdoem-me o trocadilho, eu estava pensando pequeno. Podemos apontar lápis de cor para que a ponta fininha nos possibilite detalhar coisas em espaços pequenos, e quando me toquei que o tamanho da superfície que estava usando para trabalhar com gizão de cera era inapropriada para o nível de detalhes esperados, tudo fez sentido.

Nós, desenheiros, costumamos fazer desenhos pequenos. São vários motivos que nos levam a cair nessa vala: comodidade, economia de material, formato dos sketchbooks... E esquecemos, ou simplesmente não julgamos importante (pelos mesmos motivos listados à pouco) desenhar em formatos maiores. 

"Ah, Nane, mas papel grande é caro...". Olha, fui a uma papelaria escolar semana passada e consegui garimpar bloco A3 com 20 folhas, 140g/m², por R$6, e A4 por R$2. Gente, doooois reais! É super acessível e eu não preciso ter dó de gastar material para fazer esses estudos. \o/ Sai pra garimpar também!

Exercícios de desenho com giz de cera.

Agora estou usando formatos A4 e A3 para exercícios com giz. Percebi que a mudança contribuiu na melhora dos resultados, na maneira com a qual consigo perceber e trabalhar figura e fundo, em como elaborar estratégias para não usar linhas de contorno em desenhos - trabalhando massas de cor, em como combinar as cores para obter novas nuances. Fora que exercita também nosso gestual, isto é, em formatos maiores, além do pulso também precisamos movimentar outras partes do braço para conseguirmos traçar ângulos ou linhas mais compridas.

Mistura/sobreposição de cores para obter novas cores.
Esquerda: Busuzima, de Bloody Roar 2. Direita: Link, de Zelda - Breath of the Wild

Outra praticidade do trabalho em giz de cera é poder fazer desenhos rápidos. Até mesmo quando queremos dar um acabamento melhor na pintura, preencher grandes espaços no papel, etc. Os desenhos acima foram feitos enquanto jogava videogame, coisa de poucos minutos. Se eu fosse tentar fazer o mesmo desenho usando lápis de cor para preencher, acho que demoraria dias!

Sem contar que o processo todo é uma terapia. Levar a caixa de giz ao parque, ou até a varanda e desenhar despreocupado com os padrões e normas formais do desenho de observação é libertador. Claro que as normas e os padrões são importantes para nosso aperfeiçoamento, mas é preciso treinar o desapego, pois às vezes a preocupação excessiva faz com que a gente entre em um estado de bloqueio.

Etapas de desenho em formato A3, usando giz de cera de linha escolar.

Enfim, encerro o post com esse desenho em A3, o maior (e talvez o mais colorido) que fiz até agora com giz. Não é um produto caro que vai te fazer ser bom ou ruim, precisamos explorar as possibilidades dos materiais que temos. 

Até a próxima! o/

domingo, 28 de maio de 2017

Xilogravura

Hoje vou falar um pouquinho sobre minha experiência dessa semana. Entalhes em alto relevo em madeira é um sistema de impressão bem antigo e que, mesmo com o avanço das tecnologias e dos maquinários, é usado até hoje. Xilogravura nada mais é do que gravura em madeira.

Para trabalhar com essa técnica, precisamos de ferramentas específicas, como goivas por exemplo, que servem tanto para entalhar quanto para esculpir. Basicamente são hastes de madeira com diferentes lâminas de metal para entalhe nas pontas. Normalmente são vendidas em conjuntinhos, mas em alguns lugares podem ser compradas avulsas. Outro material necessário é uma placa de madeira macia.

Conjunto de goivas.

Na foto acima podemos observar as diferentes goivas. Cada tipo de ponta possui uma finalidade diferente - sulcar, riscar, aparar... A placa de madeira usada foi MDF 5mm, que é bem baratinho e fácil de encontrar em lojas de material para artesanato. Outro substrato macio e bastante usado, porém mais caro e mais difícil de encontrar, é o linóleo.

Bom, com as ferramentas separadas, precisei apenas escolher um desenho simples para transferir para a madeira. A transferência pode ser feita com carbono, ou papel de seda. Pode desenhar diretamente na madeira também, se preferir. É só ter ciência de que na impressão, o desenho ficará invertido.

Rascunho do meu tubarão.

Desenhei um tubarão para essa experiência. O mês de maio veio com a #mermay, e mergulhei de cabeça nos desenhos sobre o fundo do mar. rs

Processo de entalhe.

A finalização é igual a do post sobre gravura em borracha. Depois que o desenho for esculpido, basta entintar a superfície com auxílio de um rolinho e "carimbar" o papel. Na verdade, o termo que considero mais apropriado para isso é "imprimir", pois essa é uma técnica de impressão.

Ilustrações da literatura de cordel são xilogravuras, e sua estética é bem característica. Vale a pena dar uma olhada para caçar referências e se inspirar. 💗

Até a próxima! o/

terça-feira, 16 de maio de 2017

Recorte e colagem - A margarida friorenta

Oi, tudo joia?
Essa semana desbravei o mundo dos recortes e colagens. Tanto na plataforma Behance quanto nos perfis do Instagram, achei artistas e designers trabalhando com diversas técnicas com papel em seus projetos: quilling, mosaicos, origami, kirigami.... Uma porção de coisas lindas!

Esquerda: wingfy // Direita: Cyla Costa

A imagem acima mostra um perfil no Instagram e um projeto no Behance que me deixaram bastante empolgada. Se quiser visualizar melhor cada um, linkei os projetos nas respectivas legendas, é só clicar.

Não tenho afinidade com esse tipo de técnica, nem tive oportunidade de trabalhar ainda em um projeto que permitisse essa experiência. Mas fiquei tão entusiasmada, que resolvi fazer uma experiência rápida por conta própria, com base nas ilustrações de um livro que li na infância.

Capa do livro A Margarida Friorenta

Não sei se esse livro era da minha mãe ou da minha tia, mas eu lembro que adorava ficar olhando as ilustrações dele (feitas por Lila Figueiredo) e tentando copiar. Conta a história de uma margarida que sentia frio durante a noite no jardim, e que com a ajuda da Borboleta Azul conseguiu entrar na casa de uma garotinha chamada Ana Maria. Escolhi a página em que a margarida e a borboleta conversam para base do estudo.

Página escolhida e anotações sobre o que deveria ser feito.

Foi difícil pra caramba trabalhar com recorte e colagem. Cortei muita coisa errada, colei meus dedos todos, passei um tempão brincando de homem aranha desgrudando cola da mão... Foco zero. Como eu não conhecia a técnica nem tinha as ferramentas necessárias para deixar o processo mais rápido, passei o dia inteiro fazendo essa ilustração. Confira o processo:

Tentativa de cenário.

Fiz várias camadas de papel recortado para simular as ondas de tremedeira da margarida com frio. A ideia seria encaixar a margarida nesse fundo. O problema é que exagerei nas proporções da flor e o resultado não ficou muito legal...

Tentei consertar colocando um outro fundo por trás de tudo, mas não gostei.

No post anterior eu falei que precisamos desapegar do testes, lembra? Aí eu desapeguei disso, desmontei quase tudo e segui em frente com um plano B.

Resultado do estudo.

Esqueci de fotografar o processo da borboleta. Foi praticamente a mesma coisa, recortes, colagens, e as manchas nas asas eu fiz com tinta branca.

Aplicação em uma moldura.

Se eu fosse repetir, ou trabalhar em melhorias, acho que mudaria novamente a solução do efeito de tremida. Ainda não fiquei satisfeita com ele. Acho que se fizesse aquelas camadas do começo, numa escala maior, ficaria mais bacana. Infelizmente o papel nessas cores do fundo acabou e não dá para repetir o processo. Vai ficar pra outro dia. rs

Ter me arriscado a fazer esse estudo me fez perceber que eu não sou tão sem jeito como pensei. Até que ficou legal. Claro que, tendo material correto e um prazo decente, é possível fazer algo melhor. Valeu super a pena essa tentativa de sair da zona de conforto e trabalhar com colagem.

Penso também que, além do rico uso na publicidade ou como ilustração de livro, essas técnicas são um ótimo exercício para se fazer com crianças em casa ou na escola. Estimula percepção de cores e das formas, trabalha mudanças de planos, faz entender o comportamento de luz e sombra nas superfícies... Fica a dica!

Espero que tenham gostado.
Até a próxima! o/